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O case América

Perde-se a perspectiva do tamanho do feito do América; e não me refiro somente a este campeonato...   

28/11/2019 às 04:04

João Zebral / América.

Faço questão de escrever este texto antes do possível acesso de sábado. Os elogios, as análises que aqui serão feitas sobrepujam o resultado de um jogo – por mais redentor e simbólico que ele possa vir a ser.

Nas últimas décadas, o Coelho integrava, em teoria, e em termos de grandeza, um patamar bem específico no futebol brasileiro, o qual talvez possamos definir como o de um clube tipicamente médio: tradicional, cuja marca é bem inserida na sociedade, no universo da bola; claramente acima dos pequenos estaduais, mas nitidamente inferior ao das mais soberanas potências locais – no caso de Minas, Atlético e Cruzeiro. Nesta linha, seria cabível vislumbrar que o América orbitava, no imaginário da imprensa e do público, em diversos sentidos, a realidade do seu xará carioca, da Portuguesa, do Bangu... E o que aconteceu com estas equipes citadas? Praticamente acabaram.

É difícil precisar exatamente um recorte temporal, mas diria que, a partir de meados da década de 90, quando o dinheiro passou a influenciar de modo mais preponderante no futebol brasileiro – crescimento de verbas publicitárias e de TV, parcerias com empresas do exterior, culto aos “supertécnicos” (com seus salários de quase sete dígitos), explosão dos vencimentos de atletas protagonistas... –, a vida fora da elite ficou mais difícil. Em determinadas acepções, o imponderável que levava um David a superar um Golias, mais improvável. E ainda assim, num destino diametralmente oposto ao dos seus pares mais óbvios, o alviverde de BH manteve-se, quase sempre, com aura irretocável: de organização, controle; um ar de limpeza, de modelo, somado ao poderio de investimento acima do imaginável para a posição que a instituição parecia ocupar.

São poucos os dirigentes tupiniquins que transmitem, em suas ações e entrevistas, conhecimento de bola, campo. Rareiam também aqueles que espargem nível intelectual para versar sobre as finanças, os complexos meandros empresariais que refletem tanto no que ocorre nas quatro linhas. Pinçar os que brilham nos dois quesitos, então... É tarefa hercúlea encontrar. Marcus Salum é um deles. Por ele, pela turma boa que integra sua equipe, independentemente de simpatias clubísticas pessoais, e da trajetória épica advinda na Série B deste ano – ou seja, pensando numa perspectiva mais macro mesmo –, cravo sem medo de errar: o América merece estar na primeira divisão.

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