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Demitido pelo governo é escolhido uma das dez personalidades da ciência pela 'Nature'

Por Agência Estado, 13/12/2019 às 16:36
atualizado em: 13/12/2019 às 17:33

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Foto: Inpe/Divulgação
Inpe/Divulgação

O físico Ricardo Galvão, ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que protagonizou o principal embate entre a ciência e o governo Jair Bolsonaro neste ano, foi escolhido pela revista Nature, uma das mais prestigiadas do mundo, uma das dez pessoas que foram mais importantes para a ciência neste ano.

A informação estava em sigilo até terça-feira (17), quando será distribuída a revista, mas vazou mais cedo. Procurado pelo jornal O Estado de S. Paulo, Galvão confirmou a homenagem e se disse "surpreso". "Fui procurado pela Nature há mais de três semanas para uma longa entrevista e fiquei surpreso com a escolha", afirmou. "Essa lista geralmente é feita com personalidades que possuem publicações com resultados científicos importantes. Eu não tenho uma publicação, mas eles consideraram importante a minha posição de defesa da ciência perante a comunidade internacional em um momento de obscurantismo", disse.

Galvão chamou a atenção de todo o mundo após responder às acusações sem prova do presidente, que disse, em um café da manhã com a imprensa estrangeira, que dados do Inpe que apontavam para um pico de desmatamento em julho eram mentirosos e acusou o cientista de estar "a serviço de alguma ONG".

No dia seguinte, o ex-diretor do Inpe afirmou que a atitude do presidente tinha sido "pusilânime e covarde".

O cientista foi exonerado no começo de agosto. Em novembro, o sistema Prodes, que aponta a taxa oficial de desmatamento da Amazônia, confirmou que houve um aumento de quase 30% na perda da floresta entre agosto do ano passado e julho deste ano, na comparação com os 12 meses anteriores.

Galvão estava no Inpe desde 1970, dirigiu o órgão por três anos e teria o mandato até 2020. O cientista fez doutorado em Física de Plasmas Aplicada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e é livre-docente em Física Experimental na USP desde 1983. Após sair da direção do Inpe, voltou para a USP, para o Instituto de Estudos Avançados.

Após a exoneração, ele começou a dar palestras e participar de eventos no Brasil e no exterior. Em meados de agosto, ao voltar à USP, deu um depoimento emocionado. "Sempre que a ciência for atacada, temos de nos levantar. As autoridades sempre se incomodam quando escutam o que não querem", disse. "Mas será que esse seria um momento de volta às trevas?", questionou em referência à ditadura. Ele mesmo sentenciou: "Não. Porque a comunidade acadêmica e científica e o povo brasileiro não se calarão."

Galvão, porém, rejeitou a ideia de ser herói. "Não usem a palavra herói ou mito. Não existe salvador da pátria", disse. Em setembro, foi homenageado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC).

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