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Maior parte dos inadimplentes do país tem dívida contraída há mais de 7 anos

Por Agência Estado, 02/12/2019 às 15:04
atualizado em: 02/12/2019 às 16:10

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O agravamento da crise econômica em 2014, após um período de abundância de renda e crédito, criou um contingente de brasileiros inadimplentes, sem condições de voltar ao mercado. Atualmente, quase um terço dos consumidores (30%) com restrição ao crédito tem mais de uma dívida em atraso, sendo que 56% dos empréstimos foram feitos há mais de sete anos, segundo pesquisa da empresa de recuperação de crédito Recovery.

O levantamento analisou dados de 25 milhões de pessoas que fazem parte da carteira administrada pela companhia, líder na cobrança de dívidas em atraso no país. De acordo com a pesquisa, a dívida média é de R$ 3.116, e a maioria dos endividados está no Nordeste e no Sudeste e tem entre 25 e 45 anos.

O Brasil tem 60 milhões de inadimplentes. Boa parte deles surgiu na esteira do aumento do desemprego nos últimos anos, que chegou a deixar 14 milhões de pessoas sem trabalho. Com a renda em queda, os índices de inadimplência dispararam e ainda não retornaram aos níveis pré-crise.

Segundo dados do Banco Central, a taxa de inadimplência em empréstimo para pessoa física (exceto crédito consignado) está em 7,5% – meio ponto porcentual acima do verificado em janeiro. No cheque especial, que atualmente tem os maiores juros do país (e que passarão a ser limitados em 2020), a inadimplência é de 16,1% – no início do ano, eram 14,2%.

Retomada

Na avaliação do professor de Finanças do Insper, Ricardo Rocha, a mudança desse quadro só ocorrerá com o aquecimento da economia e maior nível de contratação por parte das empresas. "Um crescimento de 2% ou 2,5% já daria um alívio; hoje, qualquer impulso na renda teria efeito positivo." Para o professor, quem consegue se recolocar no mercado de trabalho volta a pagar as dívidas.

A chefe da área de Cobrança da Recovery, Marcela Gaiato, concorda. Ela afirma que, apesar da lenta retomada econômica, que reduziu o nível de desemprego de 12,7%, em 2017, para 11,8%, tem percebido uma iniciativa maior por parte dos consumidores para regularizar suas contas.

Parte desse movimento se deve às compras de fim de ano e ao recebimento do 13º salário. A maioria quer ter mais espaço para adquirir novos créditos e consumir.

Descontos

Esse movimento também foi verificado no Feirão Serasa Limpa Nome. Em duas semanas, a empresa alcançou mais de 1 milhão de negociações. A expectativa era dobrar esse número até domingo (1º). Os acertos incluíram descontos de até 98% da dívida.

A confeiteira Bernadete do Carmo França, de 46 anos, por exemplo, fechou um acordo com desconto de quase 90% de um débito de R$ 12 mil. "Acabei pagando o justo, que é o valor da dívida sem os juros", disse ela, que parcelou o montante renegociado.

A dívida de Bernadete começou há mais de uma década, quando conseguiu um cartão de crédito. Em determinado momento, começou a pagar o valor mínimo da fatura. "E, de repente, tinha virado uma bola de neve", diz a confeiteira, que tentou renegociar o débito outras vezes, mas não conseguiu por causa dos valores elevados.

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