Notícias

Perto da fusão com o PSL , DEM busca rumo fora do bolsonarismo

Por Agência Estado , 13/12/2019 às 10:00

Texto:

Uma ampla pesquisa para saber o que o eleitor pensa do país, com suas expectativas, queixas, hábitos, costumes e preferências, está em andamento desde o mês passado e deve sair do forno somente depois do carnaval, em fevereiro de 2020. A radiografia que servirá de bússola para indicar o rumo político, porém, não foi encomendada pelo governo de Jair Bolsonaro, mas, sim, por um partido de centro-direita: o DEM.

A dez meses das eleições municipais e a mais de dois anos da sucessão presidencial, a sigla capitaneada por ACM Neto, prefeito de Salvador, já se prepara para os próximos embates com uma série de levantamentos periódicos, na tentativa de identificar o que o eleitorado deseja. Além disso, as negociações para a fusão do DEM com o que sobrou do PSL, legenda pela qual o presidente Bolsonaro foi eleito, estão mais avançadas do que dizem seus dirigentes.

O casamento enfrenta resistências regionais dos dois lados, mas, mesmo assim, tem chance de ser sacramentado. A ideia é desbancar o novo partido de Bolsonaro, Aliança pelo Brasil, em fase de construção. Nos bastidores do Congresso, muitos deputados e senadores avaliam que, com o apoio de evangélicos e de empresários, o "Aliança" tem potencial para provocar uma debandada nas fileiras de outras siglas e reeleger o presidente, em 2022, desde que o desemprego caia e a economia dê sinais consistentes de recuperação.

Diante de um cenário polarizado entre Bolsonaro, de um lado, e o PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de outro, políticos do chamado "centro liberal" têm se reunido com frequência e avaliado pesquisas detalhadas para descobrir quem pode representar a "terceira" via nessa disputa. O horizonte, no entanto, ainda está embaçado.

O DEM comanda a Câmara, com Rodrigo Maia (RJ), e o Senado, com Davi Alcolumbre (AP), além de ter o vice-governador de São Paulo Rodrigo Garcia, e de controlar três ministérios. Mesmo assim, não quer se unir a Bolsonaro em 2022 e tenta encontrar uma alternativa ao nome do governador João Doria (PSDB), que já está em campanha pela Presidência e enfrenta a oposição de seu colega Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul - também interessado na cadeira de Bolsonaro.

A portas fechadas, dirigentes do DEM dizem que Doria erra ao adotar estratégia sob medida para atrair o eleitor de Bolsonaro. Em recente reunião do partido, um deles argumentou que, entre "o original e o genérico", a preferência de quem vota sempre será pela primeira opção.

Crítico do governador paulista, o senador Major Olimpio (SP), líder do PSL, afirmou que a fusão de seu partido com o DEM é "impraticável" por divergências em vários Estados, entre os quais São Paulo. "Lá, o PSDB manda no DEM", provocou ele. O senador garantiu ainda que, na disputa para a Prefeitura, o PSL não aceitará uma dobradinha na qual a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) seja vice em uma chapa liderada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB). "Não vamos compor com um traidor", atacou Olimpio, em referência a Doria.

Nordeste

Atrás do voto do eleitor mais pobre, Bolsonaro e os partidos com perfil conservador também investem cada vez mais no Nordeste, onde Lula é forte, apesar de estar inelegível. Na Bahia, por exemplo, o prefeito ACM Neto se prepara agora para disputar o governo, em 2022. Reeleito no ano passado e bem avaliado no Estado, o atual governador, Rui Costa (PT), gostaria de se candidatar ao Planalto. Lula, porém, não considera essa hipótese.

Depois de ficar 580 dias preso, o ex-presidente tenta derrubar suas condenações na Justiça e recuperar os direitos para concorrer, em 2022. Se não conseguir, tentará emplacar novamente o ex-prefeito Fernando Haddad. Antes, no entanto, Lula quer que Haddad dispute a Prefeitura, no ano que vem, podendo até mesmo ter a ex-prefeita Marta Suplicy (sem partido) como vice da chapa como mostrou o Estado. Ele resiste.

A eventual aliança do PT com o PDT do ex-ministro Ciro Gomes não é vista como impossível, embora seja difícil. Ex-petista, Marta caminha, por exemplo, para se filiar ao partido de Ciro. Foi para arrumar o PDT no Ceará e combater o bolsonarismo que o senador Cid Gomes pediu licença de quatro meses, com menos de um ano de mandato. "Vou carregar pedra", disse ele, que em 2018 coordenou a campanha do irmão Ciro à Presidência.

Desafeto dos petistas, Ciro promete entrar de novo no páreo. No ano passado, o Centrão quase fechou acordo com ele, mas desistiu e apoiou o tucano Geraldo Alckmin, que acabou em quarto lugar, o pior desempenho da história do PSDB. À época, dirigentes do DEM disseram que a candidatura de Ciro "descia quadrado". Até agora, no entanto, não encontraram nenhum nome que represente o projeto do centro liberal.

O apresentador de TV Luciano Huck é interlocutor de Maia, mas ainda não decidiu se vai lançar o seu nome. O próprio Maia, por sua vez, é sempre citado para vice em alguma chapa.

Mais popular do que o próprio Bolsonaro, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, continua assediado pelo Podemos. A bancada lavajatista quer fazer de Moro o novo "outsider" de 2022, mas, no Planalto, ele só é lembrado para compor chapa com o presidente e impulsionar o plano da reeleição.

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    'Eu estou levando minha revolta para um lado de injustiça, eu preciso de uma resposta. Eu guardei tudo no quarto do bebê. Essa dor parece que não vai passar', completa.

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    O caso foi revelado em primeira mão pela rádio Itatiaia e repercute nacionalmente.

    Acessar Link